Coleta e Fixação das Amostras
I- EXAME CITOPATOLÓGICO
Citologia Cérvico-vaginal (Exame de Papanicolaou)
O exame citopatológico (Papanicolaou) consiste na análise das células oriundas da ectocérvice e da endocérvice que são extraídas por raspagem do colo do útero. Para que um esfregaço seja considerado satisfatório para avaliação oncótica recomenda-se a obtenção de uma amostra contendo células da junção escamo-colunar (zona de transformação ou transição), representadas por células endocervicais ou metaplásicas.
Orientações às pacientes para garantir uma amostra de qualidade: Não estar menstruada – a presença de pequeno sangramento de origem não menstrual, não é impeditiva para a coleta, principalmente em mulheres na pós-menopausa; Não usar creme ou ducha vaginal nem submeter-se a exames intravaginais (ultrassonografia) por 2 dias antes do exame; Evitar relações sexuais nas 24 horas que antecedem o exame.
Procedimento da coleta:
A amostra deve ser coletada com espátula de Ayres ou similar e com a escova apropriada para coleta endocervical. Deve-se evitar o uso de lubrificantes junto com o espéculo, embora uma pequena quantidade de salina não afete a morfologia celular. Muco abundante ou exsudato purulento devem ser delicadamente removidos da superfície do colo com algodão umedecido antes de se obter a amostra. O esfregaço deve ser confeccionado espalhando-se o material delicadamente e de maneira uniforme sobre a lâmina, evitando-se a sobreposição celular.
No caso de mulheres histerectomizadas que comparecerem para a coleta, deve ser obtido um esfregaço de fundo de saco vaginal. No caso de pacientes grávidas, a coleta endocervical não é contra-indicada, mas deve ser realizada de maneira cuidadosa e com uma correta explicação do procedimento e do pequeno sangramento que pode ocorrer após o procedimento. Como existe uma eversão fisiológica da junção escamo-colunar do colo do útero durante a gravidez, a realização exclusiva da coleta ectocervical na grande maioria destes casos fornece um esfregaço satisfatório para análise laboratorial.
Fixação:
A fixação do esfregaço deve ser feita imediatamente após a coleta, sem nenhuma espera. Visa conservar o material colhido, mantendo as características originais das células, preservando-as do dessecamento que impossibilita a leitura do exame. São três as formas usadas de fixação: 1) Álcool etílico em concentração entre 90% e 96% – fixador de uso preferencial no LABORATÓRIO NÚCLEO – A lâmina com material deve ser submersa no álcool etílico com concentração entre 90% a 96%, em frasco de boca larga, lá permanecendo até a chegada ao laboratório; 2) Propinilglicol – Borrifar a lâmina com fixador, spray ou aerossol, a uma distância de cerca de 25 cm. Cobrir totalmente o esfregaço; 3) Polietilenoglicol – Pingar 3 ou 4 gotas da solução fixadora sobre o material, que deverá ser completamente coberto pelo líquido. Deixar secar ao ar livre, em posição horizontal, até a formação de uma película leitosa e opaca na sua superfície. Feche o frasco imediatamente após a colocação da lâmina. Outros cuidados na coleta e fixação das amostras cervicais incluem: Observar sempre as instruções de uso e o prazo de validade do fixador; manter sempre o frasco fechado. O responsável pela fixação é o álcool contido na composição do produto, que evapora com facilidade; Agitar o frasco toda vez que for usá-lo para homogeneizar a solução; Quando usar spray, certificar-se de que o jato foi direcionado corretamente e que cobriu todo o material a ser fixado; Ventilador pode interferir na direção do jato; Não deixar fixador exposto ao sol; Não deixar o foco de luz próximo à lâmina. Luz e vento podem facilitar a secagem da secreção, antes desta ser coberta pelo fixador.
Identificação da amostra: Antes de iniciar a coleta, deve-se anotar o número do frasco na requisição do exame. Posteriormente escrever a lápis as iniciais da paciente e o numero do frasco na extremidade fosca da lâmina. A requisição deve ser preenchida de maneira clara com os dados de identificação da paciente, idade, data da última menstruação, sinais e sintomas, uso de medicamentos, teste de Schiller, alterações colposcópicas, entre outros.
Envio da amostra ao laboratório: Após a confecção do esfregaço, enviar a amostra ao laboratório o mais breve possível, para que o tempo entre a coleta e o resultado não seja prolongado desnecessariamente. Colocar o frasco contendo a lâmina (embalagem primária) dentro de um saco plástico (embalagem secundária). Vários frascos podem ser colocados dentro de um mesmo saco plástico. Colocar papel absorvente no fundo do saco plástico para proteger contra possíveis vazamentos do fixador (álcool). As requisições devem ser enviadas separadamente, dentro de um saco plástico.
Citologias por Punção Aspirativa de Agulha Fina (PAAF), Líquidos e Secreções
Após a realização de punção aspirativa e confecção do esfregaço, este deve ser imediatamente fixado em frasco contendo álcool etílico em concentrações entre 90% e 96% para coloração pela técnica de Papanicolaou. Para coloração pela técnica de Giemsa, deixar o esfregaço secar a temperatura ambiente. Em caso de líquidos ou secreções, o material deve ser imediatamente fixado em álcool etílico a 50%, em volume igual ao da amostra coletada, devendo desta forma ser encaminhado ao laboratório.
Para obtenção de álcool etílico a 50% proceder conforme descrito abaixo:
-Usar uma proveta de 1000 ml. Colocar 500 ml de álcool etílico absoluto e completar com 500 ml de água. Colocar a solução a 50% em recipiente de 1 litro de plástico e rotular com etiqueta contendo o nome do produto, número do lote, informação de segurança, data de envase e de validade, e nome do responsável pela manipulação ou fracionamento.
Identificação da amostra: É importante identificar as lâminas ou frascos contendo amostras de diferentes regiões como, por exemplo, mama esquerda e direita, tireóide – lobos direito e esquerdo ou mesmo setores diferentes identificados por marcação de horários. A identificação deve ser feita através do registro do número do frasco na requisição do exame e/ou através de anotação a lápis da topografia puncionada na parte fosca da lâmina. Sempre enviar a requisição do exame contendo dados clínicos completos, para adequada interpretação do exame pelo patologista. Em caso de dúvidas ou procedimentos especiais, entrar em contato com o patologista antes da coleta.
Envio da amostra ao laboratório: Após a confecção do esfregaço, enviar a amostra ao laboratório o mais breve possível, para que o tempo entre a coleta e o resultado não seja prolongado desnecessariamente. Colocar o frasco contendo a lâmina (embalagem primária) dentro de um saco plástico (embalagem secundária). Vários frascos podem ser colocados dentro de um mesmo saco plástico. Colocar papel absorvente no fundo do saco plástico para proteger contra possíveis vazamentos do fixador (álcool). As requisições devem ser enviadas separadamente, dentro de um saco plástico ou envelope.
II- EXAME ANATOMOPATOLÓGICO – BIÓPSIAS E PEÇAS CIRÚRGICAS
Após a coleta de material a ser examinado, colocar os fragmentos de tecido diretamente no líquido fixador, seja por meio do instrumento usado para realizar a biópsia, seja por meio de uma pinça anatômica, mas sempre de modo delicado para não danificar os tecidos.
– Não colocar as peças em frascos menores do que o seu volume normal, pois a fixação fica prejudicada. Além disso, a deformidade que sofre prejudica a descrição macroscópica e a execução de um bom preparo histológico.
– Não depositar o material em gaze. Além da deformação sofrida pelas superfícies da peça e de sua dessecação rápida, o tecido cola à gaze, não permitindo a execução de uma boa preparação histológica.
– Não abrir ou seccionar as peças sem orientação do anatomopatologista. As peças frescas abertas ou seccionadas com bisturis e tesouras, sem a técnica exigida pela anatomia patológica, ficam deformadas, impossibilitando um exame macroscópico eficiente e um diagnóstico histológico adequado.
– Não dividir a peça para poder ser examinada por diferentes patologistas.
– Orientar os pontos de reparo de uma peça para avaliar as margens de segurança, de uma massa de tecido removida por dissecação em bloco e das extremidades proximal e distal de um segmento de víscera oca.
Quando o cirurgião recebe um paciente com exame anatomopatológico prévio feito por patologista desconhecido, ele pode, dentro dos preceitos da ética, solicitar uma revisão da lâmina por outro profissional. Para isso, sempre deverá fazer a solicitação, por escrito, ao patologista que realizou o exame, e não verbalmente ao doente, comunicando-lhe a concordância ou não do diagnóstico prévio.
A solicitação da lâmina para revisão é norma em hospitais com serviços da anatomia patológica próprios, sobretudo especializados em tumores.
Fixação da amostra: O fixador adequado a ser usado é o formol a 10%. Nunca colocar o material em soro fisiológico ou água, o que pode tornar o material inadequado para estudo histológico.
Caso necessite promover a diluição do formol a 10%, seguir os passos descritos abaixo:
Diluição da formalina (formaldeído a 37% diluído na proporção de 9:1)
– Usar a proveta de 1000 ml. Colocar 100 ml de formaldeído a 37% e completar com 900 ml de água. Colocar a solução a 10% em vidro apropriado e preencher a etiqueta com o nome do produto, número do lote, informação de segurança, data de envase e de validade, e nome do responsável pela manipulação ou fracionamento.
Quando se tratar de biópsias de tecidos retráteis como músculo, segmentos de artérias ou de veias e cadeia de gânglios simpáticos, o cirurgião deverá sempre estirar e deixar a peça sobre uma tira de cartolina e depois colocá-la no fixador.
Assim se evitam os cortes oblíquos que dificultam tanto a técnica histológica como o próprio diagnóstico histopatológico.
O cirurgião sempre deverá munir-se de frascos com formol a 10% para a realização de eventuais biópsias em consultório ou para fornecê-los a doentes que prefiram a eliminação espontânea de tecidos pela vagina, reto, bexiga etc. Se não houver formol, substituí-lo pelo álcool comercial a 92,8%, apenas para o caso de pequenos fragmentos de tecido.
Identificação da amostra: o recipiente contendo o material e o pedido médico devem estar identificados com o nome, idade/data de nascimento e sexo do paciente. Os recipientes devem ser identificados com a topografia/órgão submetidos à análise em cada frasco ou saco enviado. Essas informações também devem constar no pedido médico encaminhado. Deve-se sempre informar no pedido médico a suspeita clínica, antecedentes médicos relevantes e o motivo do exame. Resultados de exames laboratoriais, clínicos e de imagem são importantes para a adequada correlação com os achados anatomopatológicos. Descrição macroscópica da lesão, localização e tamanho observados no exame intra-operatório devem ser acrescentados.
Envio da amostra ao laboratório: Enviar a amostra ao laboratório o mais breve possível, para que o tempo entre a coleta e o resultado não seja prolongado desnecessariamente. Colocar o frasco contendo a amostra (embalagem primária) dentro de um saco plástico (embalagem secundária). Vários frascos podem ser colocados dentro de um mesmo saco plástico. Colocar papel absorvente no fundo do saco plástico para proteger contra possíveis vazamentos do fixador (álcool). As requisições devem ser enviadas separadamente, dentro de um saco plástico ou envelope.